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11.11.12

fadas


fadas
que lavem
meu sedento parto
sem mácula
em valsas e sarabandas
de cortejo Teu e hierarquia

fadas
que levem
meu ostento fardo
sem lastro
aos bardos e folias
de guitarras lusas e alaúdes mouros

fadas
que cantem
meu ostento fado
teu manto
em salmos e romarias
de liras não esquecidas

fadas
que talhem
minha veste última
sem lápide
mas de frio carrara e pilastra dórica

fadas
que tragam
meu sustento sem tardança
destarte
em ouros e pratarias
de quatrocentos tesouros desenterrados

Guilherme Lessa Gonçalves
Rosário Lírico de Maria

Uma escritura lítero - musical sagrada e mística, teológica, discipular e devocional,de ascese e contemplação, como nas tradições espirituais;

Teoria, frases, arpejos, acordes, escalas, cadências, estudos, versos, parágrafos, discursos, formas literárias e musicais, símbolos, alfabetos, línguas, etc.

Com atributos místicos, como nos ragas hindus, como nos cantos gregorianos, como nos pontos cantados de umbanda, como nos orins e orikis afro-brasileiros, como nos haikais zen budista, como nos contos sufis e nas estórias xamânicas, como nas ordens caligráficas místicas islâmicas;

Para ler, ouvir e tocar como quem reza, como quem medita, como quem serve ao altíssimo;

Aulas, shows e gravações : guilherme.lessa@yahoo.com.br

3.12.10

Camarim

Pequena câmara, usada para concentração antes de uma performance. Local adequado para meditação, para realização de práticas espirituais que conduzam ao estado de consciência de criação artística. No camarim o artista - devoto - discípulo, através de práticas espirituais, pode receber a graça de se conectar com a hierarquia espiritual que atua na esfera da arte e da beleza. Essa hierarquia é chamada pelos hindus de Gandharva, pelos místicos cristãos de Querubins, e os cabalistas se referem `a esta esfera de atuação divina como Tiferet. Mestre Serápis é considerado o regente desta atuação em algumas tradições. A iconografia cristã demonstra exotericamente esta doutrina através de seus desenhos, pinturas e esculturas dos anjos músicos.

1.3.07

minha alma de muitas vozes


o blues é um dos sons de minha alma polifônica

o batuque é um dos sons de minha alma polifônica

o jazz é um dos sons de minha alma polifônica

o choro é um dos sons de minha alma polifônica

o samba é um dos sons de minha alma de muitas vozes

devoto de exu

exu quando tá na zanga
bota fogo pelas ventas
sobe pelas tamancas
exu de lei não tem trapaça

exu tá zangado, tá de bico na esquina, tá bicudo de tocaia,
exu tá de lambuza, bebendo e carburando, tá de riso solto
exu tá de gargalha, exu tá danado, trocando o seis pelo meia dúzia, juntando a fome com a vontade de comer, exu tá de pirraça, exu é torpe para os torpes, exu é santo para os santos

exu tá mancando ou tá de ginga ?
exu tá piscando ou é caolho ?

22.2.07

o silêncio do mercúrio

1 - o silêncio é um mestre que tudo sabe e tudo reponde
2 - o silêncio é um dos nomes de deus manifesto
3 - inscrição encontrada em um mosteiro medieval : "antes de falar esteja seguro de que suas palavras são mais importantes do que o silêncio"
4 - "perguntei um dia ao meu mestre espiritual sobre o sinal pelo qual podíamos reconhecer os homens que conheciam deus e ele me respondeu : 'não são os que chamam o nome de deus, são aqueles cujo silêncio proclama o nome de deus'" inayat khan, sufi iluminado

babá oriki

oxalá é um nome santo das paisagens de sol
tuas tradições senhor
tua presença civilizatória
tuas igrejas desde a primeira morada
tuas línguas desde a primeira prece
a renúncia de seus devotos desde todos os impérios
o jejum de seus sacerdócios

reza dor

que minha avó da umbanda queime muito fumo na sua cachimba por seus filhos porque para evoluir pelo caminho da arte no brasil de sempre tem que nascer de novo samurai, tem que nascer de novo adepto da velha arte, que minha avó da umbanda nos abençoe e nos conduza no tao da arte para que prevaleça a beleza sublime sobre o ouro dos tolos.
que assim seja, querendo deus.
o deus da capoeiragem, o orixá de tudo que viceja rasteiro, o deus da morte e do transe, o deus que rege o delírio do corpo, o deus que rege o tambor, todos os tambores e seus sacerdotes, o deus do ócio criativo, o deus da vadiação, o deus que rege a língua do povo, o deus dos monastérios, o orixá dos votos austeros, o deus dos reclusos...

reza é poesia

padre nosso de pemba e tambor
santificado seja o vosso nome
por todos os povos tempos e aldeias
templos sinagogas e igrejas
tendas quilombolas mesquitas e mosteiros
e no povo da rua do mar e da floresta

poseidon

que o deus do fundo do mar decrete sua tempestade, e avise pelos seus devotos ao mundo dos homens que de tempos em tempos prevalece a severidade, que de tempos em tempos yemanjá é mulher de amor e se entrega em corpo de mulher inteira e todas as súplicas não lhe alcançam, e precipitam-se as águas da purificação e espancam torrenciais, e os rios retomam seus cursos originais, sucumbem cidades, igrejas e coronéis, neste tempo não há partos, são tempos de água que mata, fogo dos temporais, morte bruta, netuno shankar desperto, poseidon também é deus de coroa e reinado ...

ogum oriki

o orixá dos ferros brutos e das ferramentas, o orixá da intervenção civilizatória, da mão de forja, o orixá dos ferreiros e de todos os sete ferros são de ogum ...

omulu oriki (em timbre brasileiro lato)

o orixá da cura, o orixá da morte súbita, do corpo putrefato, orixá da ressurreição, o deus que traz a misericórdia da cura que traz a misericórdia da morte, que rege o que machuca, tanto que ele também regenera, a morte é uma alma-fêmea companheira dos deuses e também tem seu perfume, a morte é uma mulher abandonada que nunca vai embora...

binidito

cavaco de preto velho e ciganaria, para a bardaria negra, cavaco de preto velho e ciganaria para alle gaia, uma outra terra, uma outra presença humana no planeta, a arte como o discurso inefável da alma, cavaco de preto velho e ciganaria para amplificar a dor da devoção, a única dor do sacerdócio, a dor da alma apartada do cosmos inteiro.

13.1.07

alle gaia


alle gaia é a obra da alma, que surge do silêncio interior.
alle gaia é a urgência da criação, uma prática espiritual, uma busca do sagrado na arte, o tao da arte.
alle gaia é um caminho de realização da divindade no humano.
alle gaia concilia arte, filosofia, ciência e tradição espiritual.
alle gaia articula pesquisa criação e ensino.
É uma tradição tão antiga quanto saturno e nanã buruquê.

salve os preto velho

preto velho de pemba e tambor, caboclo das almas e do cruzeiro do céu, de candongueiro e candomblé, ancião de todos os tambores, negro malungo, angoleiro de mandinga e candiêro e tantas dançarias e voz de bênção, batuqueiro de roda de santo, partideiro de ponto cantado, curandeiro de ervas do mato, vestido de branco dos pés à cabeça pelo seu babalaorixá, de vadiação à beira do cais, de vela e café, de reza nagô, de cumpadrio nas esquinas e becos e viadutos, preto velho de aruanada e candomblezeiro, preto velho de luanda e da bahia de todos os santos, preto velho da cidade de são sebastião do rio de janeiro, da baía de guanabara e do outro lado da baía, da lapa dos exus, da igreja da penha em festas, da praça onze, da praça mauá e do mangue, do morro de santa teresa, preto velho do grumari e das ruínas do centro, preto velho bento.

lucifér

A guitarra semi-acústica amarela chama-se lucifér, na linhagem de exu shiva obaluayê.
O dharma de lucifér, guitarra forjada para hermes e afrodite em sacramento, é reconciliar o sensual e o santo, o sexo e a espiritualidade, iluminar a própria sombra de quem a zela em sacerdócio, reunir a genialidade inspirada com a beleza sublime em santidade, para que a fúria da semente não se despedace antes que o perfume da rosa eleve aos céus, e suas pétalas apodreçam no chão.

8.12.06

ALLE GAIA (latim) OUTRA TERRA ( em timbre brasileiro lato)
O dharma da poesia : a vocação da poesia : o dever prescrito da poesia : o chamado íntimo para a poesia : a natureza interior da poesia : a paisagem oculta no enunciado poético têm correspondência com a invenção das palavras sagradas para o nosso tempo em timbre brasileiro lato
Nosso tempo corresponde a Kali Yuga em transição civilizatória
Kali Yuga em timbre brasileiro lato corresponde a Era da destruição, tão linda e sagrada como Kali, fêmea e companheira de Deus :
Santifique suas palavras : torne-se poeta : relate a eternidade para a assembléia de Kali : a verdade é tão bela quanto justa : ou torne-se profeta : cale-se
Poesia é reza no mundo : poesia é tornar sagrada a palavra de novo : como sempre fizeram o povo de santo e as velhas rezadeiras e os palhaços ( a condição suprema dos atores, como dizem os mais velhos do circo)

O dever prescrito : o dharma : a vocação : realizar o sagrado através da arte
A arte como caminho sacerdotal, como senda iniciática, como raja yoga, real união do humano com a divindade, conciliando estudo, para adquirir competência na linguagem da arte; serviço, oferecendo a obra de arte ao mundo como oportunidade de percepção da divindade; meditação, pois no estado de consciência da criação artística temos acesso aos mundos superiores. A obra de arte pode ser uma forma de oração.
Reunir tradições espirituais e tradição culturais, tanto do oriente como do ocidente, de todas as eras desde a idade do mundo, semeando assim uma outra presença humana no planeta

Uma iniciativa aberta a todas as danças, escrituras, cantos, instrumentos, teatros, santos, povos e aldeias
Articular :
Pesquisa : em discos, livros, tradição oral, bibliotecas, em todas as mídias
Criação : desenvolver o estado de consciência de criação artística, que nos eleva a percepção do sagrado e da divindade na plenitude de suas manifestações.
Ensino : ensinar uns aos outros e ao público em geral através de cursos, oficinas, espetáculos etc ...
Bardaria
Pontos versos rezas estórias canções récita instrumental e batuque

Vocação : Religar as tradições espirituais e as tradições culturais de toda e qualquer época e lugar numa visada universalista , com uma aptidão natural para as tradições afro-brasileiras , com uma abordagem interpretativa voltada para o brasil contemporâneo em transição civilizatória , quer dizer , uma arte plena e holística visando uma outra presença humana no planeta .

Bardaria é uma celebração em três tempos , articuláveis ou independentes entre si :

Reza : versos de inspiração, textos, dois dedos de prosa, poesia é reza no mundo, tornar sagrada a palavra de novo

Sambas de Reza : manter viva a tradição da música brasileira que faz o casamento da arte com o sagrado no mundo

Festa : pontos de homenagem e louvação, dança, batuque, samba de caboclo, capoeiragem, todos os tambores

Sobre a instrumentação : voz, violão, guitarra, cavaco, bandolim, baixo, berimbau, cuíca, tamborim, caixa clara, repique, atabaque, surdo, pandeiro, moringa, chocalho, muita palma de mão

Guilherme Lessa de Todos os Santos
Concepção, Produção, direção, arregimentação, composições e arranjos, multi instrumentista e poeta

Evocação : pesquisa criação e ensino : tel – (21) 22817324

Guilherme.lessa@yahoo.com.br

http://transicaocivilizatoria.blogspot.com