Minha lista de blogs

20.2.05

pagão

amor trazido pelo mar
é regido pela lua
vai embora na maré vazada

povo da rua

risca sua pemba
joga o seu baralho
bate o candongueiro
dorme no telhado

sem título

sempre soube que era pequena e úmida
a fenda feminina ao infinito

sempre soube que os gigantes
não resitem ao perfume dentre seus cabelos,
e a beijar-lhe toda
penetram em sua exuberância

devoram ignorantes
seus enigmas
e ostentam em urros viscerais

quando úmidas se deixam vencer
e lhe arranham a carne
pois lhe desejam assim

pagão

não se decreta a primavera
com flores de plástico
ou cores na tela
mas com o término
lento natural e insubmisso do inverno

8.2.05

sambas de reza

exu de coroa
reinando na rua
sacerdócio e militância
nas esquinas e becos e viadutos

peça licença
que um dia a casa cai
peça sua bênção
mas não peça demais
nunca peça além da conta
exu trata com todos
mas nunca será serviçal

mesa sem cerimônia
vela sem castiçal
senhor das porteiras do mundo
troca de cores no sinal
farinha pouca
o pirão primeiro é dele
senão a rua tranca
a garrafa míngua
você perde a língua
perde tudo e perde todos
se chamá-lo para o mal

30.1.05

samba de rua

chapa no risco de navalha
só com o fogo caído
e o breu dentro dele
senão estardalha

pra coisa bruta
dorme de vela acesa
senão amanhã não desperta, estilhaça
porque do lado de cá
é tudo de barro

nem com taça de cristal
ou prata de cristo no peito
disfarça o catarro de fumo e cachaça

intimida só com a idade
já que nunca foi de trabalho
e tanto ouro pendurado nas mulata
só pode ser de quem rouba e quem mata
mas também pode morrer...
então como é que pode tão sinistro
mancar sem bengala
nas beiras do precipício ?

samba de rua

nas raias da rua
cachorro brabo
abana o rabo
pro dono

nas raias da rua
faca nas cabra
couro no surdo
e no candonguêro
meia língua
que cabrito berra muito

nas raias da rua
com fio de corte
lua de míngua
noite de sete quinas
vai chamar um
ganhador no canto
pra toque de jogo de dentro
no gunga e na viola

nas raias da rua
o lamento vermelho escorre
(trabalho desfeito)
já é sol de arregaço

menina sem mãe na terra

Quando crescer quero virar oceano. De azul imenso e sem beirada. Tanto quanto verde, espelho d água do céu.
Oceano sem ninguém, só de bicho, mato de seiva, sereia. De minha mãe Senhora d água.
Senão o mar espanca. Mar virado que arrasta depois do fundo, beijo de areia seca na boca, água que arde. Não adianta chamar da praia que não volta.
Ilha também não pode ter. Oceano sem nome também. Só de maré, de todas as luas, mar de ninguém senão revira. Só de Senhora.

17.1.05

autodidata

segundo morin : "(...)não conhece hierarquias e categorias a priori e opera sua seleção em função de necessidades tão profundas quanto inconscientes".
Ser autodidata é a minha resposta e recusa à delinquência acadêmica.
Academicismo é "a posse de idéias fixas sobre como se deve utilizar os dados que se possui".

projeto editorial

não serão esquecidos (alethea) os eventos sempre para tornar possível o surgimento de mais uma hipótese, no sentido de instaurar a dúvida e de desafiar a pretensão de uniformidade semântica

paradigma holístico

a referência não é o possível oferecido
mas o potencial humano - "espaço infinito do possível"

15.1.05

pauta esotérica

não repetir frases feitas
autonomia articulada
criatividade insubmissa
questionar os automatismos fixados pelo hábito

dito francês

ëm ciência e no amor
nem sempre nem nunca

pauta macropolítica

por um brasil livre de transgênicos
pela não proliferação de armas de destruição em massa
pelo banimento internacional das minas terrestres
por uma sociedade sem manicômios (sejam escolas, asilos, hospitais)
pela taxação das transações financeiras internacionais de caráter especulativo

9.1.05

todas as mulheres não têm esses lábios que me contariam tudo mas tantas palavras seriam interrompidas por um beijo súbito, na boca, nos seios fartos e lancinantes e na buceta,e eu te agarraria pelos cabelos crespos e longos e te juraria o que quisesses, até ser digno do que escorrerá de você, não em cálice bento ou real,mas na minha boca insaciável e demente, que não fala mais coisa com outra coisa, que não te jura mais apenas te chupa, e te arranca os cabelos dos grandes lábios generosos rosas e te ofende, e te ama em qualquer idioma, e ostenta o trovão entre as pernas anarquista pagão.
E nada do que souberes bastará, não quisemos o seu rosto coberto de pó, coberto de risos alheios que nos estampam.Quisera eu ter vontade.Decerto responderão outros continentes.Na minha vila não.Queria dizer mas estou ereto demais temeroso da queda. Se não disser te amo te fodo com toda minh alma sem culpa.Agradeço pela mãe do planeta.

chamado no étimo

arte sacerdócio e militância são meus desígnios vocacionais para este ciclo já iniciado...

interlocutores

arthur omar josé menezes moacyr santos abdias nascimento adelson alves badi assad marlos nobre nise da silveira ubiratan d ambrósio fátima oliveira hilda hilst etc coltrane hermeto o povo da rua cartola pierre weil edgar morin etc etc

8.1.05

desafios profissionais

ética concorrencial
inteligência interpessoal
definição do público alvo dos projetos produtos e serviços
empreendedorismo
autonomia articulada
tempo para pesquisar o mercado e conseguir novos clientes e parceiros
tempo para aprender e estudar
transformar concorrentes em parceiros pontuais

2.1.05

escolhas

autônomo parceiro empreendedor místico autodidata nômade articulação pós-disciplinar batuqueiro ecumênico iniciativa itinerante ecológico holística inconsciente coletivo pagão diversidade acústica articulada suspensão dos recalques estados modificados de consciência desobediência transinstrumentista educador músico poeta compositor arranjador pesquisa criação ensino atelier estúdio agência clínica praia buteco redes de pesca e descanso línguas para entender o outro cerâmica intuição pão água vinho ganzá cinema de autor língua brasileira pimenta incenso banana homeopatia sânscrito hebraico árabe boemia livros café baixa e alta magia japonês ambientalista hq lentilha os oceanos alemão etnomatemática pandeiro orgasmo francês tarot kabbalah italiano grego latim macarrão bioética repique surdos cuíca berimbau pau de chuva tamborim umbanda micro-política violão (tenor, seis, sete, oito, dez e doze cordas etc) bioenergética tarol escola de samba guitarra elétrica vila isabel feijoada caixa de guerra capoeira sementes de ornamento e percussão samambaia contrabaixo (elétrico, acústico, fretless, baixolão etc)

oração

que todos os inimigos
possam amar e ser amados
que todos os inimigos
tenham a oportunidade de experimentar o sagrado
que todos os inimigos
reconheçam sua própria dimensão divina
que todos os inimigos
sejam acolhidos pela mãe do planeta